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Isso me lembrou de um fenômeno que vira e mexe me ocorre: vejo uma palavra em um idioma, penso em ver o significado traduzindo pro outro idioma, apenas pra me deparar com uma palavra traduzida que também não conheço ainda. "O que significa essa palavra que está em inglês?", traduzo pra português, "ok, mas o que significa essa palavra em português?".
Isso me ocorre na direção oposta também, com situações onde já descobri o significado de uma palavra em português através de outra em inglês (por mais bizarro que pareça pra minha nacionalidade brasileira)
Pra mim, inglês e português se tornaram meio que interchangeable, principalmente depois que arrisquei escrever poesias e estórias em inglês. Em algumas situações, me sinto mais confortável escrevendo em inglês; noutras, me sinto mais confortável em português. Em partes, a necessidade do uso de certas palavras e figuras de linguagem influencia qual idioma escolho pra expressar um pensamento, porque algumas figuras de linguagem que costumo usar não existem no outro idioma, ou não da mesma forma.
Exemplos: "hopefully" não é exatamente "por sorte" ou, pelo menos pra mim, sei lá, não sinto que expressam a mesma coisa da mesma forma, embora sejam sinônimos. Já conceitos mais via negativa de não-coisa como "the land where there's no land and there's no there" soa melhor no nosso duplo negativo lusofono "o lugar nenhum onde não há lugar". Também, ditados do português, mesmo quando têm equivalentes em inglês, não são a mesma coisa, então acabo incluindo uma frase em português como citação dentro do texto em inglês.
Porém, muito do meu vocabulário são mais termos que não pertencem a nenhum dos dois idiomas, como (o exemplo que me veio de momento) "Kafkaesco/Kafkaesque" (qualidade do que se assemelha à burocracia retratada nas obras de Kafka). Tem muitos outros exemplos de vocábulos inclusive languageless da minha cabeça bagunçada, mas não lembrei a tempo pra incluir nessa resposta.
Por fim, também tem palavras (geralmente epítetos e nomes transcendentais) que me parecem melhor expressas em outros idiomas (ex.: espanhol e aquele meme "¿Por qué no los dos?") nos quais não sou fluente. Alguns desses idiomas sequer são possíveis a fluência, como sumério e egípcio (ambos em suas formas transliteradas): pra mim, "nínna" e "ntrt" soam melhor que dizer "deusa" ou "goddess". Latim também: "Ordo Ab Chao" e "Chao ab Ordine" é melhor pra falar do que "ordem através do caos" e "caos através da ordem", idioma no qual cheguei a também cunhar uma frase que segue as regras gramaticais, "Vita mortem manducat, Mors manducat vitam" ("a vida devora a morte, a Morte devora a vida").
Mas eu diria que é produtivo conhecer símbolos, palavras e frases em outros idiomas, mesmo quando não se espera fluência ali, mesmo quando sequer se espera usar. Porque isso instiga um "rewiring" no cérebro, e os pensamentos se tornam mais "language-agnostic" (independente de idioma).